NipOlimpíada https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br Tóquio-2020 e outras histórias Mon, 20 Apr 2020 05:24:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 À espera das cerejeiras https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br/2020/03/05/a-espera-das-cerejeiras/ https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br/2020/03/05/a-espera-das-cerejeiras/#respond Thu, 05 Mar 2020 06:20:03 +0000 https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br/files/2020/03/sora-sagano-8sOZJ8JF0S8-unsplash-300x215.jpg https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br/?p=80 De Nagoia (Japão)

A dias da esperada temporada de cerejeiras, tímidas flores já despontam nos jardins do castelo de Nagoia, na província de Aichi, no Japão. Sob a chuva fina de fins de fevereiro, visitantes, muitos mascarados, fotografam as árvores em close-up para captar as pequenas pétalas de sakura.

Quase no fim deste inverno, um dos mais amenos dos últimos anos, sakuras vão colorir o arquipélago antes do esperado. Segundo o último boletim da Japan Meteorological Corporation, as cerejeiras vão desabrochar na capital, Tóquio, durante onze dias a partir de 15 de março. Em Hiroshima, as florações estão previstas para 19 de março; em Kagoshima, ao sul, 31 de março; em Sapporo, ao norte, 30 de abril.

É a época do “hanami”, a arte de admirar as flores, uma tradição secular no Japão. Em tese, é a singela contemplação das cores das cerejeiras em flor, em diferentes tons de pink e branco. Em tempos instagramáveis, inclui festivais que movimentam mais de 60 milhões de viajantes, japoneses e estrangeiros, ávidos por fotos nos parques floridos, iluminados e tomados por piqueniques.

Entretanto, os maiores festivais de hanami, como os tradicionais de Tóquio e Osaka, foram cancelados neste ano a fim de evitar aglomerações –sim, devido ao surto do novo coronavírus, assunto que segue dominando a imprensa japonesa.

Hanami é a arte de admirar as flores de cerejeiras, uma tradição secular no Japão (Pavlo Klein/Unsplash)

Além de colégios parados, companhias priorizando home office, jogos de futebol e beisebol alterados, Tokyo Disney e Universal Studios Japan temporariamente fechados, shows e eventos como Anime Japan e Tokyo Fashion Week foram cancelados de última hora. A vida parece em suspenso, em suspense.

O clima de incerteza se agrava com as declarações desencontradas das autoridades olímpicas. Seiko Hashimoto, ministra de Tóquio-2020, acenou a possibilidade de adiamento dos Jogos. Dick Pound, integrante canadense do Comitê Olímpico Internacional, idem. A cada deslize, o comitê martela o compromisso de sediar o torneio nas datas marcadas, 24 de julho para a Olimpíada, 25 de agosto, a Paraolimpíada.

“Isso quer dizer que a competição mais celebrada do mundo, mais ansiada pelos atletas e de maior visibilidade planetária corre o risco de ser desfigurada por uma força microscópica, destituída de consciência ou intenção. Que mundo curioso esse onde os extremos se testam em seus pontos mais fracos”, escreveu a colunista Katia Rubio nesta Folha.

Tradicionais festivais de hanami, como os de Tóquio e Osaka, foram cancelados (Kazuend/Unsplash)
Época das cerejeiras simboliza recomeços no Japão (Kazuend/Unsplash)

Não é só a Olimpíada, o glorioso encontro esportivo que simboliza a paz entre as nações, que corre o risco de ser desfigurada no Japão. É o dia a dia, a ida ao colégio ou ao mercado, o trivial que se tornou incerto, imprevisível – como as cerejeiras, maior símbolo da efemeridade deste lado do mundo.

“As sakuras também ensinam sobre a imprevisibilidade da vida. As flores de cerejeira desabrocham uma vez por ano, na primavera, e dura apenas uma semana. Os botões que se abrem vão do branco a várias tonalidades de rosa. O vento faz com que as pétalas voem pelo ar, formando uma espécie de neblina rosada; sob essa chuva, pisa-se sobre um chão que me faz lembrar de carnavais passados — o confete produzido pela própria natureza”, descreveu a jornalista Paula Carvalho, na revista Quatro cinco um.

Apesar da simbologia sublime das sakuras, os ares poéticos colidem com o vírus da vez. Também associadas a recomeços, já que surgem na época de início do ano letivo e do ano fiscal japonês (1º de abril), as flores encontram um calendário confuso neste ano.

“O hanami de 2020 ainda vai acontecer?!”, indaga-se aflitivamente em diversos posts na internet. Sim: com ou sem luzes festivas, as flores estarão lá para pura e simples contemplação. Elas sempre colorem o país nessa época, mesmo que tudo ao redor esteja desmoronando. Festivais foram cancelados; a primavera, não.

No filme “The Tsunami and the Cherry Blossom” (2011), indicado ao Oscar de melhor documentário em curta-metragem, um dos sobreviventes da onda gigante que atingiu Fukushima observa as árvores que floresceram pouco tempo depois da catástrofe. “Se as flores estão se aguentando, nós também precisamos aguentar”, diz.

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Japanglish, um ‘dialeto’ para quem se aventura pelo Japão https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br/2020/02/11/japanglish-um-dialeto-para-quem-se-aventura-pelo-japao/ https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br/2020/02/11/japanglish-um-dialeto-para-quem-se-aventura-pelo-japao/#respond Tue, 11 Feb 2020 22:40:15 +0000 https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br/files/2020/02/img_8462-300x215.png https://nipolimpiada.blogfolha.uol.com.br/?p=36 De Toyohashi (Japão)

Japonês não é simples. Com três alfabetos (hiragana, katakana e kanji) e uma estrutura bastante diferente da língua portuguesa, o “nihongo” dificilmente é aprendido assim, do dia para a noite. Não dominar o idioma inteiramente, entretanto, não é empecilho para quem pretende se aventurar no país pela primeira vez.

Na capital Tóquio, que espera receber 40 milhões de visitantes estrangeiros por conta da Olimpíada, o acesso a pontos turísticos não é difícil – é possível visitar os principais a partir do metrô, sem arriscar uma palavra de japonês.

Em outras cidades, onde talvez não haja transcrições em letras romanas (o “romaji”) nas estações de trens ou sinalizações de trânsito, a situação é um pouco mais complicada. Um tradutor do Google pode salvar o dia.

Google, no Japão, se pronuncia “Guguru”. Este é um dos exemplos de “Japanglish”, um neologismo para indicar a fusão das línguas japonesa e inglesa. Também é lembrado como “Wasei Eigo”, um tipo de inglês “made in Japan”.

Palavras estrangeiras são adaptadas e pronunciadas com um singular sotaque no arquipélago asiático, devido à estrutura fonética da língua japonesa, que não inclui os sons das letras L e V, por exemplo. Assim, hotel se diz “hoteru” e “convenience store” (loja de conveniência, presente praticamente a cada esquina no país), “konbini”. Bolsonaro vira “Borusonaro”.

Eis outros dez exemplos de palavras derivadas do inglês na pronúncia nipônica, que podem ser úteis para quem pretende visitar o país durante a Olimpíada:

  1. Bus (ônibus): basu
  2. Beer (cerveja): biru
  3. Coffee (café): kohi
  4. Taxi (táxi): takushi
  5. Baseball (beisebol): besuboru
  6. Basketball (basquete): basukettoboru
  7. Boxing (boxe): bokushingu
  8. Rugby (rúgbi): ragubi
  9. Soccer/football (futebol): sakkā ou futtobōru
  10. Volleyball (vôlei): bareboru

Muitas dessas expressões foram destacadas na música “Tokyo Bon 2020 (Makudonarudo)”, que viralizou e teve mais de 70 milhões de visualizações desde seu lançamento, em fins de 2017.

Além de Google, outras marcas estrangeiras também são “adaptadas” aqui, como ilustra o vídeo: Makudonarudo (McDonald’s), Kitto Katto (Kit Kat) e Sutabakkusu (Starbucks).

Protagonizado pelo rapper malaio-chinês Namewee e pela atriz japonesa Meu Ninomiya, com ritmo pop e dança típica Bon Odori, o clipe retrata justamente um estrangeiro perdido e pedindo informações nos principais pontos turísticos da capital japonesa.

O número 2020, presente no título da música, é referência direta aos Jogos Olímpicos –aliás, Orinpikku Kyōgi Taikai.

(Imagem no alto: Frame do clipe “Tokyo Bon 2020 (Makudonarudo)”, do músico Namewee (YouTube/Reprodução)

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